quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Como tomar conta de um Capuchinho Vermelho | Especial Regresso às Aulas

Ainda que o outono se possa começar a anunciar, setembro cheira sempre a novo! São cadernos novos, livros novos, amigos novos, professores novos, e também, naturalmente, histórias novas!

Imagem 1: levanta-se o véu de Como tomar conta de um Capuchinho Vermelho


Não raro, aparecem pedidos de sugestões de livros sobre questões inerentes à entrada para a escola ou ao regresso às aulas, como o medo, a amizade, a integração, etc... Quem nos acompanha, sabe que somos um bocadinho "avessos" a "livros para...", uma vez que consideramos que um bom livro será sempre "bom para...": para alimentar o imaginário, a dimensão humana e a essência leitora de cada um, para nos fazer pensar e para nos fazer felizes (falamos destas questões AQUI e AQUI). 

A questão que consideramos verdadeiramente fulcral é que a leitura de bons livros faça parte das rotinas diárias de todas as salas de aula e de atividades, e de todos os lares, e que gere momentos felizes. Que pais e professores não deixem de ler aos seus filhos / alunos, só porque chegaram ao 1º ano (assunto de que falávamos há um ano por esta altura em Vou para a escola, vou aprender a ler), e que a riqueza e diversidade da atual produção literária para a infância chegue, efetivamente, ao seu destinatário.

Imagem 2: dois exemplos de textos que respeitam as versões "originais" do conto popular Capuchinho Vermelho. Com base no texto de Charles Perrault, Le Petit Chaperon Rouge, ilustrado por Christian Roux (texto em língua francesa); Com base no texto dos Irmãos Grimm, um livro que se apresenta em três línguas (português, francês e inglês), versão portuguesa de Eugénio Roda e ilustrações de Hassan Ameikan.


Como tomar conta de um Capuchinho Vermelho, título que escolhemos para esta "rentrée", é uma ideia da autoria de um pequeno (mas voraz) leitor, de apenas três anos, o Lourenço, que, em resposta à banalíssima pergunta "Que história leste ontem?", respondeu prontamente: "Como tomar conta de um Capuchinho Vermelho".

Imagem 3: pormenor do miolo de Le petit chaperon rouge (versão de Charles Perrault)

Este inusitado "título" resultou da junção de três outros títulos, O Capuchinho Vermelho (que chegou à Biblioteca do Lourenço no seu sexto mês), Como tomar conta de uma avó e Como tomar conta de um avô, de Jean Reagan, que este pequeno leitor havia recebido no dia dos avós.

Ficamos a pensar que este (novo) título dava, efetivamente, uma(s) boa(s) história(s)... e, decidimos, então, transformá-lo num conjunto de ideias para este regresso às aulas.

Partindo do conto popular mais emblemático de todos os tempos, o Capuchinho Vermelho, que deverá ser do conhecimento da grande maioria das crianças, e, portanto, um elo unificador, podemos enveredar por distintas explorações em torno da questão "Como tomar conta de um Capuchinho Vermelho?" Aqui ficam algumas.

Imagem 4: conjunto de reescritas atuais de O Capuchinho Vermelho


Ideia 1

Esta atividade pode ser feita de forma simples, em jeito de conversa onde as crianças vão apresentando ideias e sugestões para "tomar conta do Capuchinho", ao jeito da autora de Como tomar conta de uma avó (como seria passar um dia com o Capuchinho Vermelho), ou livremente. As ideias podem ser representadas em desenho ou escritas (por exemplo em post-its), que depois poderão dar origem a um original painel.

(Na imagem 2 estão dois exemplos de textos que respeitam as versões "originais" do conto popular, tendo por base os textos de Charles Perrault - séc. XVII, e dos Irmãos Grimm- séc. XIX).

Ideia 2

Com crianças mais velhas, podemos transformar a atividade num diálogo reflexivo sobre questões como: 

- Por que motivo precisa o Capuchinho Vermelho que alguém tome conta de si?

- O que é preciso vigiar?

- Será uma missão perigosa? 

- Será um trabalho divertido? 

- Por que devo (ou não) fazê-lo?  

- O que posso ganhar com isso?

Ideia 3

Associando este emblemático conto, e cruzando, por exemplo, algumas das suas reescritas, poderá ser divertido imaginar e criar Uma escola para Capuchinhos Vermelhos, que poderá, depois, ser transformada numa bela maquete.

- Onde se localizaria esta escola? 

- Como seria o espaço? As salas, a biblioteca, a cantina... a decoração?

- Que matérias / disciplinas se aprenderiam nessa escola?

- Quem seriam os professores?

- Quais seriam os jogos de recreio?

- Onde seriam as visitas de estudo?

- (...)

(Na imagem 4 encontram-se alguns títulos de reescritas atuais do conto O Capuchinho Vermelho, que poderão servir de base à atividade)

Ideia 4

Partindo do contexto que gerou esta atividade, poderão ser criados outros títulos, que incluam o Capuchinho Vermelho e outras histórias conhecidas das crianças. No caso de o repertório de obras não ser muito vasto, poderá ser feita uma seleção prévia de livros). Poderão surgir títulos como "Adivinha quanto eu gosto do Capuchinho Vermelho" (cruzando com o título Adivinha quanto eu gosto de ti), "Papá, por favor, apanha-me o Capuchinho Vermelho" (cruzando com Papá, por favor, apanha-me a lua), "Capuchinho Vermelho das Meias Altas" (cruzando com o clássico Pippi das Meias Altas), etc. 

Imagem 5: três obras para trabalhar questões de estereótipos. Por que razão o lobo é sempre o vilão? Terá mesmo de ser assim? (Uma ideia para uma outra versão da atividade: "Como tomar conta e um lobo?")

Para que não faltem ideias para preparar um ano de boas e diversificadas leituras, em casa com a família, ou na escola, deixamos ainda, para este especial regresso às aulas, dez seleções de obras, organizadas por temas, que poderão integrar as vossas escolhas. 

Livros para uma Pedagogia da Felicidade (1)

Livros para uma Pedagogia da Felicidade (2)

Representações da Criança na Literatura para a Infância 

As crianças que moram nos livros

Ritmos e ciclos da Natureza: Primavera de Livros

Ritmos e ciclos da Natureza: Representações do verão na Literatura para a Infância

Ritmos e ciclos da Natureza: Livros e ideias para celebrar o outono 

Natal: Calendário de Leituras do Advento

Família: Os avós das histórias e das memórias

Família: Que avós povoam a atual literatura para a infância?


A todos desejamos um bom ano letivo, repleto de boas leituras!

                                                                                            [LMB]

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Os avós das histórias (e das memórias)

Comemoramos hoje o Dia dos Avós, uma data à qual não poderíamos ficar indiferentes, tendo em conta o número crescente de (boas) publicações literárias destinadas à infância, onde os avós marcam presença.

Há um ano, neste dia, apresentávamos uma seleção intitulada Que avós povoam a atual literatura para a infância?, e descobríamos diferentes facetas destes entes tão queridos.

Desta vez, a nossa escolha recaiu sobre um conjunto de textos que enfatizam o papel dos avós na sua qualidade de guardiões da memória, e a importância de construir (e preservar) memórias, a melhor forma de perpetuar a sua presença (para sempre).


João Pedro Mésseder, na sua coletânea de poesia Versos quase Matemáticos apresenta-nos um pequeno poema, Avô e Avó, composto por duas quadras apenas, que bem poderia servir de mote para esta questão das histórias e das memórias...

Capa e pormenor do miolo da obra Versos quase matemáticos de João Pedro Mésseder e Catarina Fernandes

O reduzido texto verbal é, todavia, "compensado" pela interessante ilustração que o acompanha (imagem acima), e que, já agora, nos põe a pensar no título do livro... Ou, como explicamos esta sombra? 

Pormenor do miolo da obra Amores de Família, de Carla Maia de Almeida e Marta Monteiro

Na obra da dupla nacional Carla Maia de Almeida e Marta Monteiro, Amores de Família (de que já falamos AQUI e AQUI), moram a Avó Ceres e o Avô Júpiter (imagem acima). Dois avós que não deixam por mãos alheias a tarefa de ensinar aos netos aquelas coisas importantes, mas demoradas, que é importante aprender (quer seja para experimentar fazer coisas que levam tempo, quer seja para que um dia também possam ser ensinadas a outros netos), como "fazer compotas e conservas de frutas", "construir casinhas de madeira para os pássaros", "esperar que as sementes germinem", e aguardar pelo Natal (que devolve os filhos ao lar).

(Nota: nesta obra ainda podemos encontrar a Avó Proserpina, muitos pais, muitas mães, e um interessante ABC dos deuses que "explicará" o comportamento das  famílias que aqui moram...)

Pormenores das páginas de introdução a cada um dos textos, e última página da obra Pelo rio correm histórias, de Maria da Conceição Vicente e Rui Castro

Maria da Conceição Vicente dá vida a três histórias do património popular de Águeda, que se ligam entre si pela voz de um avô que as conta ao seu neto, uma opção reveladora da consciência da importância dos avós na transmissão dos diferentes legados, neste caso o legado cultural e etnográfico da terra.

Pelo rio correm histórias é um livro muito bonito, onde as ilustrações de Rui Castro desempenham um papel de aproximação ao pequeno leitor, uma espécie de convite a jogar (é impossível não virem à nossa mente imagens de peças de lego, ou do vídeojogo Minecratf). 

Afinal, a brincar também podemos contar histórias e apropriarmo-nos desta herança comum que é o imaginário popular.

Capa e pormenores do miolo de O Anjo da Guarda do Avô

Da incontornável autora de Quando a mãe grita, Jutta Bauer, o livro O Anjo da Guarda do Avô conta a história das visitas que o neto, narrador, fez ao avô no hospital, nos seus últimos dias. Começa assim:

"O meu avô gostava de contar histórias. Contava sempre alguma coisa quando eu ia visitá-lo. - «...meu rapaz, ninguém me segurava...»"

E assim começa uma viagem pela vida do avô, desde a infância, passando pela juventude e vida adulta, até à velhice. Uma vida preenchida com coisas boas e menos boas, onde convivem a traquinice e as zangas, o amor e a guerra, a alegria e a fome... entre outras dicotomias (na imagem acima podemos ver dois exemplos)..

Nesta obra, à semelhança do que acontece noutros (bons) trabalhos onde o diálogo texto verbal e texto icónico é particularmente bem conseguido, a ilustração desempenha um papel muito enriquecedor no que à ampliação de sentidos diz respeito. Atente-se, por exemplo, na presença do "Anjo da Guarda do Avô" que o acompanha desde a infância até à morte (que também se encontra apenas subentendida, pela presença de um "novo anjo" que passa a proteger o neto). 

A simplicidade do texto e a delicadeza das ilustrações fazem desta obra um trabalho extraordinário, altamente indutor de reflexão (e de conversa) em torno de questões que se afiguram, muitas vezes, difíceis.

Pormenor do miolo de Se o mundo inteiro fosse feito de memórias, de Joseph Coelho e Allison Colpoys 

Editado em Portugal em fevereiro de 2021, Se o mundo inteiro fosse feito de memórias, de Joseph Coelho e Allison Colpoys, é um dos mais recentes trabalhos literários onde figura a representação dos avós.

Pela voz da neta, a criança narradora, somos convidados a dar um passeio pelas quatro estações do ano, revisitando as memórias que a menina guarda do seu avô em cada estação. 

"se o mundo inteiro fosse a primavera, eu plantaria d novo os aniversários do meu avô, para que ele jamais envelhecesse"

Acompanhámo-la no momento da dor da perda do avô ("algumas histórias são silenciosas") e apoiámo-la na construção do seu caleidoscópio de memórias, pois o avô preparou-lhe um último presente...

"No cadeirão do meu avô está um caderno novo. O papel é de pétalas de primavera, cosido com fio vermelho-rubi. Tem o meu nome na capa. Está novinho e por estrear, e foi feito pelo meu avô."

Pormenor do miolo A última paragem, de Matt de la Peña e Christian Robinson

Como o próprio título indicia, A última paragem, de Matt de la Peña e Christian Robinson, concentra grande parte da sua ação no autocarro que Alex e a Avó apanham à saída da igreja até à Rua do Mercado (a última paragem):

Poderíamos concentrar-nos no destino e na missão que a avó levava, mas isso equivaleria a perdermos a viagem... uma viagem aparentemente simples, mas onde Alex, ajudado pelos sábios gestos da avó, irá descobrir beleza em lugares  inesperados... e aprender a alegria da generosidade.

"Quando saiu do autocarros, Alex olhou em volta. Passeios esburacados e portas partidas, janelas cheias de grafitis e portas fechadas. Deu a mão à avó.

- Porque é que esta zona está sempre tão suja?

Ela sorriu e apontou para o céu.

- Por vezes, quando estás rodeado de lixo, consegues ver melhor as coisas belas, Alex."

O humor que permeia o texto, a profundidade da mensagem e a beleza das ilustrações fazem deste livro um verdadeiro tesouro. Não terá sido, pois, por acaso que foi a obra vencedora da medalha Newbery e livro de honra Caldecot.


Desejamos a todos os nossos leitores, grandes e pequenos, avós e netos, pais e filhos, excelentes leituras em família, e um MUITO FELIZ DIA DOS AVÓS!

P.S. Poderão encontrar outras sugestões sobre este tema AQUI e AQUI.

[LMB]

sábado, 24 de julho de 2021

As crianças que moram nos livros (1)

Na literatura de potencial receção leitora infantil encontramos, vastas vezes, a criança como protagonista, ora como narrador personagem, ora como personagem principal... 

Num ano particularmente dedicado à criança, pelas comemorações em torno do Ano Internacional para a eliminação do Trabalho Infantil, fomos em busca de (mais) crianças que moram nos livros (pois já AQUI havíamos falado sobre as Representações da Infância na Literatura).


Selecionamos para este mês, que conta já com muitas famílias de férias, quatro títulos de autoria internacional, chegados até nós bem recentemente, entre 2020 e 2021, pelas editoras Fábula, Presença, Kalandraka e Orfeu Negro. Convidamos, então, os nossos leitores (grandes e pequenos) a conhecer Vera, Jaime, Rosalie, e uma outra criança, cujo nome não é revelado, que nos brinda com uma carta (de amor) maravilhosa!

capa e paratexto final de Se algum dia vieres à Terra, de Sophie Blackall

Sophie Blackall, cuja obra chegou ao nosso país em 2020, com Olá Farol (de que falamos aqui), volta a encantar os leitores portugueses com este maravilhoso trabalho, publicado em março deste ano pela Fábula: Se algum dia vieres à Terra
Como a própria autora nos conta, num interessante paratexto que podemos encontrar na última página da obra (ver imagem acima), 

"A Ideia deste livro surgiu no cume de uma montanha dos Himalaias, no Butão. Eu estava a trabalhar com a organização Save the Children e tinha escalado um caminho em ziguezague para visitar uma pequena escola com apenas duas salas e dez alunos." (...)

pormenor do miolo de Se algum dia vieres à Terra, de Sophie Blackall

Só a introdução a este texto "explicativo" já nos oferece uma interessante reflexão sobre a importância dos nossos gestos, independentemente do número de pessoas que por eles possam ser tocadas, pois, na verdade, deste "pequeno gesto" nasceu esta grande obra, que é, como dizíamos, uma maravilhosa carta de amor à nossa Casa. Uma carta que pode chegar a todos os habitantes que partilham este planeta:

"Nós, os seres humanos, definimo-nos através do sítio onde nascemos, onde vivemos, daquilo em que acreditamos, das roupas que vestimos e das línguas que falamos. Mas não existe uma pessoa «típica». Somos todos diferentes. No entanto, há algo que todos partilhamos - o planeta em que vivemos."

Ao longo de sete dezenas de belíssimas páginas, profusamente ilustradas, e pela voz (ou pela pena) da criança narradora, que escreve esta bela carta (de amor) destinada ao "Querido visitante do espaço sideral", somos convidados, numa espécie de visita guiada à Casa, a conhecer (ou a recordar?) a beleza do mundo, em todas as suas dimensões. 
Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores obras para conhecer a Agenda 2030 e para pôr em prática a máxima "Conhecer para Amar".

pormenor do miolo de Se algum dia vieres à Terra, de Sophie Blackall

Num livro com um título algo intrigante mora Vera, a menina que protagoniza a obra de Marina Núñez e Avi Ofer, Caça-Olhares, um trabalho belíssimo, publicado pela kalandraka, em 2020.
Preocupada com o facto de ninguém olhar senão para um certo dispositivo que todos seguram na mão, em frente aos olhos, Vera decide ir à caça de olhares...

Capa, guardas e pormenores do miolo de Caça-Olhares, de Marina Núñez e Avi Ofer


Mas Vera não é bem sucedida na sua missão, pois, à exceção de uma ou outra criança, a quem consegue caçar um olhar cúmplice, os olhares dos adultos não se voltam para ela: nem fora de casa, nem na própria casa! (imagem acima).
"Se os adultos não observam nem contemplam as coisas maravilhosas que há no mundo, como poderei eu fazer com que olhem para mim?", questiona-se a menina, desiludida...

Até que um dia, Vera decide procurar ajuda junto da avó Guida, pois

"A avó tem sempre olhares para ela, mesmo que diga que já não vê lá muito bem. Escuta todas as histórias, mesmo que diga que já não ouve como dantes. E nunca tem pressa, nem mil e uma coisas para fazer."

Será Vera bem sucedida, desta vez?
 
pormenor do miolo de Caça-Olhares, de Marina Núñez e Avi Ofer


Peter Reynolds, autor da famosa obra O Ponto, dá-nos a conhecer Jaime, a criança que mora no livro O Menino que colecionava palavras, publicado em 2020, pela Presença. Uma obra que nos revela um especial poder: o poder transformador das palavras (como podemos ler na contracapa).

pormenor do miolo, capa e guarda final de O Menino que colecionava Palavras, de Peter Reynolds

Jaime tinha um gosto particular no que respeita a coleções. Não colecionava cromos, nem selos, nem moedas... e nem olhares (como Vera). Jaime colecionava PALAVRAS, que ouvia, que via, que lia. PALAVRAS breves e doces, palavras bonitas e palavras polissílabas, "que soavam como pequenas canções". Jaime encheu muitos cadernos com as suas coleções...
Mas um dia... "ao transportá-las... Jaime escorregou e as palavras voaram."
O que será que vai fazer este colecionador especial?...

pormenor do miolo de O Menino que colecionava Palavras, de Peter Reynolds

E, por último, trazemos Rosalie, uma menina muito especial que mora num pequeno grande livro, escrito por Timothée de Fombelle e ilustrado por Isabelle Arsenaut, Capitão Rosalie, que chegou até nós em 2020, pela Orfeu Negro.

A menina que mora neste livro, tal como Vera, também tem uma missão... mas bem diferente. 
"Tenho um segredo
Na escola, todos pensam que estou a sonhar
Mas eu sou um soldado em missão. Capitão Rosalie."

miolo de Capitão Rosalie, de Timothée de Fombelle e Isabelle Arsenaut 

Estamos em 1917. Rosalie, a narradora, é uma menina de cinco anos, que vive com a mãe porque o pai está na guerra.

"Não tenho qualquer memória para lá da guerra. Era muito pequenina antes de ela começar. E vejo bem que a minha mãe continua a ler ainda durante muito tempo, apesar de só haver uma única página escrita no envelope.”

Curiosa (e não convencida) sobre o conteúdo das cartas que a mãe lhe lê, Rosalie decide empreender a missão que a ajudará a descobrir a verdade por que tanto anseia.

"Olho de novo para o quadro. Pela primeira vez tudo se torna claro. Como se uma neblina se evaporasse subitamente das coisas. A minha missão está quase terminada. Não devo esperar mais.”

miolo de Capitão Rosalie, de Timothée de Fombelle e Isabelle Arsenaut 

Trata-se de um dos mais belos trabalhos que conhecemos dentro da temática bélica. Um texto forte, que não deixa nenhum leitor indiferente.

Entre palavras e olhares, desejamos a todos uns dias de descanso de muita cumplicidade (os livros dão uma ajuda).



A todos, boas leituras!

[LMB]

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Leituras de ir à bola: Força Portugal!!

Não há assunto que não possa ser encontrado na literatura infantojuvenil. E o futebol não é exceção. 
Em jeito de apoio à Seleção Portuguesa de Futebol, aproveitamos a onda de entusiasmo que marca o Campeonato Europeu de Futebol, que está a decorrer, e apresentamos um conjunto de sugestões de leitura e de atividades (giras), em torno do Euro (e dos livros, claro), para realizar em contexto família, e não só, pois poderão também ser boas ideias para tornar inesquecíveis estas últimas semanas de aulas.
Esta seleção de livros reúne três GRANDES nomes da literatura portuguesa para a infância, José Jorge Letria, Matilde Rosa Araújo e António Torrado
Da sua vastíssima obra sobre os mais diversos temas (alguns dos quais já por nós tratados, AQUIAQUI, AQUIAQUI, AQUI e AQUI), escolhemos, de José Jorge Letria, duas divertidas obras, que são a prova de como a mestria e a arte no uso da palavra podem transformar qualquer assunto "banal" num extraordinário trabalho.   

Miolo da obra Os Cromos da Bola de José Jorge Letria e Afonso Cruz

Na sua obra Os Cromos da Bola, que conta com fabulosas ilustrações de Afonso Cruz, José Jorge Letria apresenta um conjunto de 18 poemas, que representam 18 "figuras emblemáticas" do futebol: o goleador, o guarda-redes, o defesa, o craque, o avançado, o treinador, o presidente do clube, o árbitro, o selecionador, o massagista, o treinador de bancada (que é o nosso preferido), o apanha-bolas, o jornalista desportivo, o sócio 999, o chefe da claque, a adepta frenética, o político da bola, e o empresário.
Através de divertidos jogos de linguagem, onde se mistura "a língua do futebol" com as mais variadas achegas a este desporto, dadas, muitas vezes, através de pormenores na ilustração, como podemos ver na imagem acima, os autores apresentam um trabalho cheio de cor e de humor.

Limitados a assistir aos jogos em casa, longe dos estádios, as "bancadas" ficaram despidas dos seus famosos "treinadores", que apenas podem exercer o seu ofício a partir do sofá. Não resistimos, por isso, a partilhar aqui um excerto do texto que lhes é dedicado, o treinador de bancada:

     De táticas sabe tudo
     mesmo sem ter feito o curso
     mas às vezes na bancada
     faz é figura de urso.

     Não consegue estar de acordo
     com o que pensa o treinador;
     se fosse ele a mandar
     a pontuação era melhor.

     É campeão dos palpites
     sem medo de se enganar
     e tem razões para isso
     pois nada tem a arriscar.
    (...)

Ideias para brincar a partir deste livro:

1. A partir dos títulos dos poemas, podem ser realizados originais Abecedários ou Dicionários do futebol, que podem ser enriquecidos com ilustrações ou colagens (os folhetos de supermercado trazem inúmeros motivos alusivos). Podem inspirar-se nos Abecedários Literários que partilhamos AQUI. 

Miolo da obra Histórias de ir à bola, de José Jorge Letria e Joana Quental

Oito contos curtos compõem a segunda sugestão de José Jorge Letria, Histórias de ir à bola, que conta com ilustrações de Joana Quental
Bem sugestivos, e cheios de intertextos, estes contos trazem novas possibilidades para o universo do futebol. Desde O árbitro que engoliu o apito (excerto na imagem abaixo), passando por De quem é a bola?, pelo Golo de Pélé (a história de uma mascote canina que acabará por ser o responsável pela subida do Chuteiras Futebol Clube à divisão nacional), por Anjos e Diabos (um conto com recado para os árbitros), pela Lição do Pombo Nicolau (que deixou um presente malcheiroso no boné do guarda-redes), por Meia bola e força, Bola só há uma (um conto com personagens inusitadas como Zé Maria Bonifrate), por Toca a ver os golos (excerto na imagem acima), até Águia, leão e dragão, que relata um divertido almoço de três animais do jardim zoológico, todos os contos se revelam uma grande surpresa. 

Miolo da obra Histórias de ir à bola, de José Jorge Letria e Joana Quental

Ideias para brincar a partir desta obra:

2. Ao jeito dos textos de José Jorge Letria, podem ser criados pequenos contos relacionados com o futebol, usando, contudo, elementos diferentes, como por exemplo um jogo de futebol protagonizado por animais de diferentes espécies, por personagens dos contos tradicionais, por alimentos, por objetos, onde cada um ocupa uma posição e assume uma função no campo. Será, certamente, uma experiência de escrita criadora bem divertida!



Não poderíamos deixar de incluir, nas nossas propostas de leitura, um texto de Matilde Rosa Araújo, cujo centenário de nascimento comemoramos este mês. Escolhemos dois poemas da obra Mistérios, ilustrada por Alice Jorge: A Laranja e Golo, que podem ser lidos na imagem acima. Escolhemos A Laranja por ser um fruto nosso, que também tem forma de bola, e que pode representar o nosso país / a nossa seleção. E Golo, porque sem golos não há futebol!
Estes poemas são, ainda, um bálsamo para a ansiedade típica dos campeonatos de futebol, pela calma que as suas palavras têm dentro, e encerram uma mensagem que bem poderíamos adotar para estes (e outros) momentos: "não há perder nem ganhar (...)".

Ideias para brincar apartir desta coletânea de poemas:

3. Partindo da Laranja como fruto tipicamente português, propomos uma volta ao euro em 24 frutos (para os mais corajosos), ou em 11 frutos (para os menos aventureiros), que representem os países (24) que participam no campeonato europeu, ou as cidades (11) onde decorrem os jogos. Outras variantes desta proposta, poderão passar por volta ao mundo em 24 (ou 11) receitas,  monumentos, danças, provérbios, formas de saudação, curiosidades, etc (a imaginação é o limite).


Miolo da obra O elefante não entra na jogada, de António Torradoe Zé Paulo

A encerrar as nossas sugestões de leituras de ir à bola, trazemos, também em jeito de homenagem a António Torrado, um grande nome da literatura infantojuvenil portuguesa, que nos deixou há uma semana, O elefante não entra na jogada, uma obra com ilustrações de Zé Paulo. 
Trata-se de uma narrativa muito bem construída, como o são todos os textos do autor, que começa assim:

"Era de azar. A menos de uma semana para o desafio, o jogo, o despique, o confronto, o duelo entre o Riscadinho Futebol Clube e os Soquetes de Alpercatas, futebolistas temíveis de além-além-além fronteiras, e o guarda-redes do Riscadinho a dizer que não arriscava.
- Não arrisco e não arrisco - gritava ele, todo despenteado, numa grande crise de nervos. (...)"

É a partir daqui que, mediante a necessidade de aranjar outro guarda-redes, a narrativa se desenrola num desfilar de potenciais "substitutos" bem inusitados, como podemos ver pelo excerto na imagem acima.

Ideias para brincar a partir desta narrativa:

4. Imaginar e construir equipas de "futebol de bairro", utilizando alcunhas. Representar essas equipas em campo, em desenho ou em maquete, ilustrando, por exemplo, ao jeito de Afonso Cruz (ver a obra Os Cromos da bola - acima).

(Falamos de António Torrado no nosso Calendário de Leituras de AdventoAQUI).

Créditos imagem: O Observador

Outras ideias para brincar ao Euro, a partir dos livros:

5. Elaborar o Bilhete de Identidade de cada país participante: capital, bandeira, língua... Nas nossas sugetões Livros que convidam a percorrer o mundo, podem encontrar ideias e informação complementar para esta sugestão.

6. Preencher um mapa da Europa com os países participantes (imagem abaixo) ou com as cidades onde se realizam os jogos do campeonato (imagem acima). Mapas da Europa para o efeito podem ser encontrados AQUI.

Créditos imagem: O Observador

7. Elaborar um álbum do Euro com recurso a recortes de notícias, a imagens, a excertos de entrevistas, a curiosidades...

8. Escrever o Diário do Euro ou apenas o Diário dos jogos de Portugal.



Aventurem-se e façam-nos chegar os vossos trabalhos, pois todos terão lugar por aqui. E, quem sabe... não terão ainda uma bela surpresa?
A todos desejamos boas leituras, e...
Força Portugal!
[LMB]




terça-feira, 1 de junho de 2021

Vamos brincar com livros? Desafio Especial Dia da Criança

Estamos de parabéns e queremos fazer a festa convosco!

Foi no Dia da Criança de 2020 que nasceu a página FB Educação Literária na Família. Faz hoje um ano, e, por isso, estamos de parabéns! E como nestas coisas dos livros e da leitura (como, aliás, em tudo na vida) quanto mais damos, mais recebemos (mede-se em sorrisos e em partilhas que nos enchem a alma), hoje estamos aqui para DAR!


A página FB Educação Literária na Família nasceu, neste dia emblemático, com o propósito de TORNAR A LEITURA UM VALOR DE FAMÍLIA.

Acreditamos genuinamente na bondade dos livros e no contributo da leitura para a felicidade de grandes e pequenos.

Primeira publicação na página FB Educação Literária na Família

E, porque "a família é um lugar insubstituível no paulatino processo de educação literária de cada jovem", como referiu o Doutor Cândido Oliveira Martins, precisamente há um ano, neste dia, continuaremos a privilegiar a família enquanto primeiro (e principal) mediador de leitura.



Comentário FB de 1 de junho 2020

Vamos, então, comemorar juntos, com este Desafio Especial Dia da Criança?
Ao longo do mês de junho, mês da criança, lançamos a pequenos e grandes leitores o desafio de transformar livros em jogos!

É simples: a partir de um livro (encontram muitas sugestões nesta página) propomos a construção de um jogo. Pode ser um jogo inspirado em alguns jogos clássicos, como o jogo do galo, da memória, da glória... ou outro tipo de jogo.


Conhecemos bem a criatividade dos nossos pequenos e grandes leitores, e, por isso não temos qualquer dúvida de que nos irão surpreender!
Todos os trabalhos serão divulgados e os três melhores serão premiados!

Vamos brincar? (Com livros, o sucesso é garantido!)

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Outra mão cheia de livros para uma Pedagogia da Felicidade

Apresentamos no passado dia internacional do livro infantil, um conjunto de livros que comprovavam o maior dos benefícios da leitura: ler contribui para a nossa felicidade (imediata)!

Ora, não fomos capazes de conter esta seleção na primeira mão cheia. Os livros que nos fazem felizes são tantos, que não resistimos a partilhar outros tantos.

(podem conhecer a primeira parte desta seleção AQUI)


Esta reflexão surge, como referimos quando apresentamos a primeira mão cheia de livros para uma Pedagoga da Felicidade, porque nos temos vindo a aperceber que os "conhecidos benefícios da leitura" não parecem ser convincentes o suficiente (como atesta o último estudo sobre os hábitos de leitura dos jovens estudantes).

E porque acreditamos que quantos mais adultos experimentarem e conhecerem o mais imediato efeito benéfico da leitura, maior presença os livros marcarão na vida das nossas famílias (pois ainda não encontramos quem não queira ser feliz). 

O segredo é conhecer, pois a estes livros ninguém fica indiferente, e a hora de partilhar uma leitura em família passará, então, a ser muito desejada, quer por grandes, quer por pequenos.

Pormenor do miolo de A maior Casa do Mundo, de Leo Lionni

Abrimos com A maior Casa do Mundo, um trabalho de Leo Lionni (2008), que integra uma história contada de pai para filho, dando-nos a conhecer a importância de compreendermos e aceitarmos as "leis" da mãe natureza. Confrontado com o desejo de o filho querer ter "a maior casa do mundo", o pai caracol conta uma história com o mesmo nome, onde a ambição desmedida e a ostentação acabam por custar a vida ao pequeno caracol. Confrontado com esta "lição", o caracol desta história parece compreender o quanto é afortunado por possuir uma casa tão pequena, e parte, então, para ver o mundo, descobrindo uma infinidade de maravilhas, como podemos ler no excerto da imagem acima.

Indutora de reflexões de ordem diversa, com lugar a diferentes pontos de vista,  esta é mais uma obra que não se esgota numa leitura, e que promete interessantes conversas. 
(Esta obra já deu origem a um interessante jogo da memória, construído por uma das nossas famílias ELF: AQUI).

Pormenor do miolo de Os Figos são para quem passa, de João Abreu e Bernardo Carvalho

Os figos são para quem passa, de João Abreu e Bernardo Carvalho (2016) é um livro percorrido por um conjunto de personagens animais que parece ter por missão ensinar ao Homem como viver em harmonia com a Natureza e com o Outro, respeitando, ainda, os ritmos de aprendizagem de cada um.

Na senda da história do caracolinho de Leo Lionni, o desprendimento afigura-se-nos, nesta obra, como um importante ingrediente para uma vida feliz. 
Estabelecendo uma espécie de analogia com o princípio dos tempos, “No princípio, o mundo era só um. Tudo era de todos, ninguém pertencia a nada, nada pertencia a ninguém” (Abreu e Carvalho), a narrativa vai deixando pistas ao leitor sobre o papel providencial da natureza: (excerto na imagem acima).

“Afinal, era exatamente por isso que os frutos não amadureciam todos ao mesmo tempo. As árvores, sábias e generosas, tinham sempre frutos maduros para quem passava. E quando não os tinham maduros, tinham-nos verdes, para quem passasse nos dias seguintes”. (Abreu e Carvalho)

O desequilíbrio desse “princípio” muda, porém, no dia em que o urso passa debaixo de uma figueira e decide esperar que um figo fique maduro, contrariando, desse modo, a regra do “princípio”. Os sacrifícios (e dissabores) que o urso passa para proteger um único figo (que afinal já era habitado por uma lagarta) provocam o questionamento do leitor, que se divide entre a defesa ou a condenação do urso. A solução é apresentada pela lagarta, o mais pequeno ser que percorre a obra, e que, numa atitude de altruísmo, de respeito para com o processo de crescimento do urso, e talvez também de homenagem à sua paciência, divide com ele o “seu” figo. 
Ao jeito dos contos do “princípio dos tempos”, esta narrativa também encerra com uma “lição”:

 “«Agora já percebi» disse o urso. «Há figos que são para quem passa...» «E há figos que são para quem espera» acrescentou a lagarta. «Pois é», disse o urso. «E esses são os melhores que há»” (Abreu e Carvalho).

Índice e pormenor do miolo de O Senhor Pina, de Álvaro Magalhães e Luiz Darocha

Pela pena de Álvaro Magalhães e Luiz Darocha (2013), numa originalíssima homenagem a Manuel António Pina, trazemos O Senhor Pina. Como podemos ver através do índice (imagem acima), esta obra, recheada de um humor subtil, característico da escrita de Álvaro Magalhães, é um hino à alegria de viver e à imaginação.

E quem nos traz um especial ingrediente para uma Pedagogia da Felicidade é o Ursinho Puff, amigo "inseparável" do Senhor Pina, que aguça o nosso olhar sobre a beleza de alguns momentos especiais (ainda que curtos) como por exemplo "o momento antes":

"Mas então?...
Então estava a saborear o momento antes. É quando ficamos contentes e nos apercebemos disso. Mas agora que me interrompeste, tenho de começar outra vez." (Magalhães e Darocha)
(excerto completo na imagem abaixo).

Excerto do capítulo Um Urso com poucos miolos, in O Senhor Pina, de Álvaro Magalhães e Luiz Darocha

Com fortes ecos de O Principezinho, este episódio irá, sem dúvida, despertar memórias e trazer para o presente muitos "momentos antes", que é como quem diz, muitos momentos felizes!

(Esta obra integrou a primeira edição do programa ELF. E uma das atividades mais apreciadas pelas famílias participantes foi a elaboração de um texto recorrendo apenas aos títulos do índice: fica a sugestão!)

Pormenor do miolo de Depois da Chuva, de Miguel Cerro

Prémio Internacional Compostela 2015, Depois da Chuva, de Miguel Cerro, é um álbum de uma beleza extraordinária! Com ecos de "fábula clássica", esta obra encerra uma poderosa mensagem de resiliência.
Depois de uma grande inundação, os animais são obrigados a refugiar-se numa gruta, no alto de uma colina. Cada um tem a sua tarefa... à exceção da raposa, a quem não é confiado nenhum trabalho. Aparentemente, todas as necessidades estão asseguradas... 

No entanto, a raposinha não desiste de dar o seu contributo para a vida naquela gruta, aonde não chegava a luz...

Pormenor do miolo de Depois da Chuva, de Miguel Cerro

Decidida a iluminar a gruta (e os seus moradores), a Raposinha, depois de derrotada na tentativa de agarrar as estrelas e a lua, descobre um grupo de pirilampos perdidos que mal conseguiam voar... e não hesita em salvá-los  (excerto da imagem acima). E, a partir dessa noite, nunca mais faltou a luz naquela gruta." (Cerro)
Uma obra que dará, certamente, muito que falar! 

E quanto à luz na gruta? Parece-nos ser como a leitura: ninguém tinha sentido falta dela até a experimentar, mas depois... nunca mais puderam viver sem ela.

Pormenores do miolo de O que vamos construir, de Oliver Jeffers

"Temos muito que fazer", diz Oliver Jeffers à sua filha Mari, na dedicatória de O que vamos Construir, Planos para um futuro comum. Este recente trabalho (2020), que o autor refere ter por objetivo "nivelar o terreno" (ao nível das desigualdades) segue a linha do trabalho anterior, que o autor dedicava ao filho, Aqui estamos nós, afigurando-se como uma espécie de manual para a vida. 
À luz de uma aparente simplicidade, nesta obra, Oliver Jeffers não se escusa a apresentar as grandes questões, ou as grandes dualidades da vida, assim como o que é verdadeiramente importante para o ser humano na sua essência, e nos seus direitos mais básicos: uma família, uma casa, e, sobretudo a sua grande necessidade de amar e de ser amado.

Página final de O que vamos construir, de Oliver Jeffers

Um livro ternurento, com vários níveis de leitura, ao qual adultos e crianças desejarão regressar (muitas vezes), como quem regressa a Casa.

A todos desejamos felizes leituras!
                                                          [LMB]