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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

A magia do Natal nos livros

"É raro o autor de literatura infantil que, entre o seu repertório, não conte com uma ou mais obras sobre o Natal, quer na edição nacional, quer internacional. Podemos encontrar clássicos da literatura adaptados aos mais jovens, livros que privilegiam um imaginário mais voltado para o Pai Natal e outros mais centrados no imaginário religioso, onde a figura central é o Menino Jesus, e também livros onde convivem ambos os imaginários; livros que problematizam questões sociais, livros cuja tónica é a família, e livros que nos dão a conhecer o Natal de outras paragens; livros em prosa e livros em poesia, e também livros-brinquedo… Também em relação a este tema, há livros para todos os gostos. Sendo o Natal uma época que privilegia os encontros e convívios familiares, e, no nosso país, um tempo que convida ao aconchego da casa e da lareira, a leitura em família, de livros que tematizam o Natal, pode revelar-se uma experiência ainda mais intensa e transformadora, como o provam os testemunhos que se seguem." 

(Barros, 2022).

Calendário de Leituras de Advento volta a ser distinguido com o selo Escola Amiga da Criança (5ª edição) na categoria Família.

É assim que abre a secção A magia do Natal nos Livros em  Crianças Leitoras Famílias Felizes. Uma secção em que partilhamos testemunhos reais de famílias normais, que nos ajudam a acreditar na bondade dos livros. 

Índice completo AQUI

Para nos ajudar a viver melhor esta época, recuperamos o nosso Calendário de Leituras de Advento, iniciativa que fez um enorme sucesso na época natalícia de 2020, e que mereceu a distinção Escola Amiga da Criança em 2021, na categoria Literacias, e em 2022, na categoria Família. Podem recordar algumas das belíssimas criações inspiradas neste Calendário na nossa salinha "Trabalhos".

Uma das "surpresas" do Calendário. Há mais AQUI.


Podemos encontrar neste Calendário 24 sugestões de leituras de Natal, acompanhadas por 60 propostas de atividadesdesde tricotar uma mantinha para o menino Jesus, passando por confecionar e beber uma chávena de chocolate quente com o Pai Natal, construir um postal para oferecer a um vizinho, fazer poemas ou abecedários de Natal ilustrados, fazer bolachinhas para oferecer de presente, cantar, recolher tradições das Janeiras, até descobrir como se diz avó em três línguas diferentes, o leque é muito diversificado e garante bons momentos, quer em família, quer noutros contextos, como o escolar, por exemplo.

Alguns dos livros de Natal, de autoria nacional, do nosso Calendário.

Para além das 24 sugestões que espreitam deste calendário de leituras de advento, podem encontrar AQUI, mais dois títulos, de que falamos no Natal de 2021.

Alguns livros de Natal, de autoria internacional.


Vamos aproveitar a magia do Natal dos livros para viver mais intensa e genuinamente esta época tão especial. 

Aqui fica, então, em jeito de visita guiada, o roteiro pelas 24 janelas do nosso Calendário de leituras de Avento:



Boas leituras e até já!

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Calendário de Leituras de Advento: mais uma Distinção Escola Amiga da Criança

Foi a nossa companhia durante o mês de dezembro de 2020, a caminho do Natal: um caminho feito de livros, que encheu as casas dos nossos pequenos (e grandes) leitores de sorrisos, de música, de sonhos... e até de rabanadas.

Este original Calendário de Advento acaba de receber a Distinção Escola Amiga da Criança (4ª edição), na categoria Literacias. E o momento convida a que o revisitemos...



Ao longo de 24 dias, apresentamos, ao ritmo de uma por dia, 24 obras literárias sobre o Natal, representativas de diferentes autores, ilustradores, géneros literários e épocas, do panorama nacional e internacional, acompanhadas de sugestões de atividades para realizar em família ao longo do mês.

Obra que espreitou da Janela 3 do nosso Calendário

As sugestões de atividades contemplavam diferentes domínios: leitura, escrita, línguas estrangeiras, cinema, cultura, património e tradições, etnografia, gastronomia, cruzando múltiplas literacias, e traduziram-se em belíssimos e diversificados trabalhos, que podem ser apreciados AQUI

Exemplo de trabalho de escrita realizado com base nas propostas
 da Janela 19 (Dezembro à Porta)

Num total de 24 sugestões de leitura e de 60 propostas de atividade, pais e filhos tiveram oportunidade de experimentar um leque diversificado de atividades, que, além de um conhecimento sobre as representações do Natal na Literatura para a Infância, contribuíram para um significativo alargamento de práticas de literacia familiar.

Exemplo de trabalho realizado de expressão plástica com base na obra Allumette, que espreitava da Janela 22

A expressiva adesão a este calendário é reveladora do impacto que as atividades em torno do livro e da leitura podem ter em ambiente familiar. Este calendário fez a diferença na vida das famílias que experimentaram as nossas sugestões, tendo contribuído para criar memórias felizes onde o livro, os cenários e as personagens que o habitam passaram a ter um lugar afetivo. 

Sugestão de leitura para o dia 24 de dezembro, acompanhada de excerto lido pelo autor, António Mota


Aqui fica, então, em jeito de visita guiada, o roteiro pelas 24 janelas do nosso Calendário de leituras de Avento:


E, também, para recordar,
Outras distinções Escola Amiga da Criança para iniciativas no âmbito da Educação Literária na Família:



Trabalho realizado a partir das propostas da janela 20, A Festa dos Pastores. Os trabalhos realizados podem ser conhecidos AQUI

 
Inspirem-se! Qualquer motivo é bom para ler, e esta quadra é especialmente propícia (é que os livros de Natal são particularmente bonitos;)

Até já!

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Um Calendário de Leituras do Advento com passatempo e brinde

Chegados a dezembro, espreita o Natal...

E porque gostamos do Natal e queremos fazer valer 2020, decidimos ir em busca do Natal nos Livros e trazer, ao longo destes 24 dias, em jeito de Calendário de Advento, 24 sugestões de leituras de Natal.


Alguns dos livros que vão espreitar do nosso Calendário de Leituras do Advento

Este é o mês em que chega o inverno, em que sabe bem estar à lareira, é um mês com feriados e com férias, e, neste ano tão diferente, é um mês para voltar a ficar em casa... Prometemos, pois, tornar este mês especial: com livros por perto, uma mantinha e uma caneca de chocolate quente, não há tédio que resista! 

E para tornar o Natal com Livros ainda mais interessante e interativo, do nosso calendário sairá, em cada dia, uma, ou mais, sugestões de atividades relacionadas com o livro do dia e com o Natal. 

Muito nos agradará, pois, que nos façam chegar as vossas experiências e testemunhos, inspirados neste calendário especial. No dia de Natal teremos uma surpresa...


Dia 1: O Livro do Natal de José Jorge Letria e Afonso Cruz



Para abrir o calendário, e porque ainda haverá quem não fez o presépio, ou não escolheu o menu da consoada, ou esteja a decidir se "encomenda" o presente ao Menino Jesus ou ao Pai Natal... propomos este maravilhoso álbum poético, que reúne 18 poemas em torno desta época: 
O Presépio, A Estrela de Belém, Maria e José, O Burro do Presépio, A Vaca do Presépio, A Ovelha do Presépio, A fala do Menino Jesus, Os Reis Magos, O Sonho do Menino Jesus, O Presépio dos Avós, O Preru da Consoada, A Árvore de Natal, A Missa do Galo, O Pai Natal, Os doces de Natal, As Prensas de Natal, O Natal da Escola, e O Espírito de Natal.

A Ovelha do Presépio: um dos poemas da obra


Trata-se, sem dúvida de um livro muito interessante, onde se cruzam o habitual engenho com as palavras, tão característico de José Jorge Letria, com as inconfundíveis ilustrações de Afonso Cruz, cujo humor acrescenta novas interpretações aos textos, como é possível constatar na imagem acima. 
Um livro para ativar o imaginário do Natal.

O que sugerimos para além da leitura?

1- Verificar se falta algum "assunto importante" nos 18 títulos. Há sempre alguma coisa em falta, pois cada Natal tem as suas particularidades. Vamos acrescentar um título?

2- Construir uma ovelha, em material de desperdício, e atar-lhe uma legenda com um desejo ou uma mensagem de Natal.

Ficamos à espera das vossas "janelinhas" do calendário (que é como quem diz, das vossas respostas às nossas sugestões). Partilharemos os trabalhos nesta página e nas nossas páginas de Instagram e Facebook. Espreitem no menu à direita.

No dia de Natal, sortearemos dois livros entre todos os participantes.

Boas leituras de Natal e até ao dia 2!



sexta-feira, 18 de junho de 2021

Leituras de ir à bola: Força Portugal!!

Não há assunto que não possa ser encontrado na literatura infantojuvenil. E o futebol não é exceção. 
Em jeito de apoio à Seleção Portuguesa de Futebol, aproveitamos a onda de entusiasmo que marca o Campeonato Europeu de Futebol, que está a decorrer, e apresentamos um conjunto de sugestões de leitura e de atividades (giras), em torno do Euro (e dos livros, claro), para realizar em contexto família, e não só, pois poderão também ser boas ideias para tornar inesquecíveis estas últimas semanas de aulas.
Esta seleção de livros reúne três GRANDES nomes da literatura portuguesa para a infância, José Jorge Letria, Matilde Rosa Araújo e António Torrado
Da sua vastíssima obra sobre os mais diversos temas (alguns dos quais já por nós tratados, AQUIAQUI, AQUIAQUI, AQUI e AQUI), escolhemos, de José Jorge Letria, duas divertidas obras, que são a prova de como a mestria e a arte no uso da palavra podem transformar qualquer assunto "banal" num extraordinário trabalho.   

Miolo da obra Os Cromos da Bola de José Jorge Letria e Afonso Cruz

Na sua obra Os Cromos da Bola, que conta com fabulosas ilustrações de Afonso Cruz, José Jorge Letria apresenta um conjunto de 18 poemas, que representam 18 "figuras emblemáticas" do futebol: o goleador, o guarda-redes, o defesa, o craque, o avançado, o treinador, o presidente do clube, o árbitro, o selecionador, o massagista, o treinador de bancada (que é o nosso preferido), o apanha-bolas, o jornalista desportivo, o sócio 999, o chefe da claque, a adepta frenética, o político da bola, e o empresário.
Através de divertidos jogos de linguagem, onde se mistura "a língua do futebol" com as mais variadas achegas a este desporto, dadas, muitas vezes, através de pormenores na ilustração, como podemos ver na imagem acima, os autores apresentam um trabalho cheio de cor e de humor.

Limitados a assistir aos jogos em casa, longe dos estádios, as "bancadas" ficaram despidas dos seus famosos "treinadores", que apenas podem exercer o seu ofício a partir do sofá. Não resistimos, por isso, a partilhar aqui um excerto do texto que lhes é dedicado, o treinador de bancada:

     De táticas sabe tudo
     mesmo sem ter feito o curso
     mas às vezes na bancada
     faz é figura de urso.

     Não consegue estar de acordo
     com o que pensa o treinador;
     se fosse ele a mandar
     a pontuação era melhor.

     É campeão dos palpites
     sem medo de se enganar
     e tem razões para isso
     pois nada tem a arriscar.
    (...)

Ideias para brincar a partir deste livro:

1. A partir dos títulos dos poemas, podem ser realizados originais Abecedários ou Dicionários do futebol, que podem ser enriquecidos com ilustrações ou colagens (os folhetos de supermercado trazem inúmeros motivos alusivos). Podem inspirar-se nos Abecedários Literários que partilhamos AQUI. 

Miolo da obra Histórias de ir à bola, de José Jorge Letria e Joana Quental

Oito contos curtos compõem a segunda sugestão de José Jorge Letria, Histórias de ir à bola, que conta com ilustrações de Joana Quental
Bem sugestivos, e cheios de intertextos, estes contos trazem novas possibilidades para o universo do futebol. Desde O árbitro que engoliu o apito (excerto na imagem abaixo), passando por De quem é a bola?, pelo Golo de Pélé (a história de uma mascote canina que acabará por ser o responsável pela subida do Chuteiras Futebol Clube à divisão nacional), por Anjos e Diabos (um conto com recado para os árbitros), pela Lição do Pombo Nicolau (que deixou um presente malcheiroso no boné do guarda-redes), por Meia bola e força, Bola só há uma (um conto com personagens inusitadas como Zé Maria Bonifrate), por Toca a ver os golos (excerto na imagem acima), até Águia, leão e dragão, que relata um divertido almoço de três animais do jardim zoológico, todos os contos se revelam uma grande surpresa. 

Miolo da obra Histórias de ir à bola, de José Jorge Letria e Joana Quental

Ideias para brincar a partir desta obra:

2. Ao jeito dos textos de José Jorge Letria, podem ser criados pequenos contos relacionados com o futebol, usando, contudo, elementos diferentes, como por exemplo um jogo de futebol protagonizado por animais de diferentes espécies, por personagens dos contos tradicionais, por alimentos, por objetos, onde cada um ocupa uma posição e assume uma função no campo. Será, certamente, uma experiência de escrita criadora bem divertida!



Não poderíamos deixar de incluir, nas nossas propostas de leitura, um texto de Matilde Rosa Araújo, cujo centenário de nascimento comemoramos este mês. Escolhemos dois poemas da obra Mistérios, ilustrada por Alice Jorge: A Laranja e Golo, que podem ser lidos na imagem acima. Escolhemos A Laranja por ser um fruto nosso, que também tem forma de bola, e que pode representar o nosso país / a nossa seleção. E Golo, porque sem golos não há futebol!
Estes poemas são, ainda, um bálsamo para a ansiedade típica dos campeonatos de futebol, pela calma que as suas palavras têm dentro, e encerram uma mensagem que bem poderíamos adotar para estes (e outros) momentos: "não há perder nem ganhar (...)".

Ideias para brincar apartir desta coletânea de poemas:

3. Partindo da Laranja como fruto tipicamente português, propomos uma volta ao euro em 24 frutos (para os mais corajosos), ou em 11 frutos (para os menos aventureiros), que representem os países (24) que participam no campeonato europeu, ou as cidades (11) onde decorrem os jogos. Outras variantes desta proposta, poderão passar por volta ao mundo em 24 (ou 11) receitas,  monumentos, danças, provérbios, formas de saudação, curiosidades, etc (a imaginação é o limite).


Miolo da obra O elefante não entra na jogada, de António Torradoe Zé Paulo

A encerrar as nossas sugestões de leituras de ir à bola, trazemos, também em jeito de homenagem a António Torrado, um grande nome da literatura infantojuvenil portuguesa, que nos deixou há uma semana, O elefante não entra na jogada, uma obra com ilustrações de Zé Paulo. 
Trata-se de uma narrativa muito bem construída, como o são todos os textos do autor, que começa assim:

"Era de azar. A menos de uma semana para o desafio, o jogo, o despique, o confronto, o duelo entre o Riscadinho Futebol Clube e os Soquetes de Alpercatas, futebolistas temíveis de além-além-além fronteiras, e o guarda-redes do Riscadinho a dizer que não arriscava.
- Não arrisco e não arrisco - gritava ele, todo despenteado, numa grande crise de nervos. (...)"

É a partir daqui que, mediante a necessidade de aranjar outro guarda-redes, a narrativa se desenrola num desfilar de potenciais "substitutos" bem inusitados, como podemos ver pelo excerto na imagem acima.

Ideias para brincar a partir desta narrativa:

4. Imaginar e construir equipas de "futebol de bairro", utilizando alcunhas. Representar essas equipas em campo, em desenho ou em maquete, ilustrando, por exemplo, ao jeito de Afonso Cruz (ver a obra Os Cromos da bola - acima).

(Falamos de António Torrado no nosso Calendário de Leituras de AdventoAQUI).

Créditos imagem: O Observador

Outras ideias para brincar ao Euro, a partir dos livros:

5. Elaborar o Bilhete de Identidade de cada país participante: capital, bandeira, língua... Nas nossas sugetões Livros que convidam a percorrer o mundo, podem encontrar ideias e informação complementar para esta sugestão.

6. Preencher um mapa da Europa com os países participantes (imagem abaixo) ou com as cidades onde se realizam os jogos do campeonato (imagem acima). Mapas da Europa para o efeito podem ser encontrados AQUI.

Créditos imagem: O Observador

7. Elaborar um álbum do Euro com recurso a recortes de notícias, a imagens, a excertos de entrevistas, a curiosidades...

8. Escrever o Diário do Euro ou apenas o Diário dos jogos de Portugal.



Aventurem-se e façam-nos chegar os vossos trabalhos, pois todos terão lugar por aqui. E, quem sabe... não terão ainda uma bela surpresa?
A todos desejamos boas leituras, e...
Força Portugal!
[LMB]




quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Com o coração nos livros | de 2020 com amor

A encerrar um ano que ficará na memória de todos nós, sentimo-nos de alma cheia e de coração a transbordar. Apesar de 2020, e graças a 2020, a família ELF cresceu, novos livros conheceram novos leitores (e alguns conquistaram lugares especiais na vida de muitos de nós). 

Ao longo do ano, contamos com mais uma edição ELF, que nos fez regressar ao lugar onde tudo começou; criamos e dinamizamos as rubricas Fiquem em casa e (re)descubram o prazer e ler juntos e Calendário de Leituras de Advento, que possibilitaram experiências de proximidade e de novas abordagens aos livros; apresentamos mais de 130 sugestões de leitura, distribuídas por diferentes temas e rubricas, e mais de 100 propostas de atividades; estreitamos a comunicação com os nossos leitores no Facebook e no Instagram; continuamos a integrar as ações aLer+2027; fomos duplamente distinguidos com o selo Escola Amiga da Criança; e brindados com maravilhosas partilhas de experiências, que se traduziram em belíssimos trabalhos

Não é, portanto, de estranhar que estejamos de alma cheia e de coração a transbordar: OBRIGADA A TODOS! 

Em jeito de agradecimento, trazemos uma seleção de livros com coração dentro (pois ao coração todos falam). São quatro obras de 2020 que, em nosso entender, encerram uma poderosa e pertinente mensagem para uma era que se quer nova.

Estes quatro trabalhos, que se ligam pelo coração, abrigam quatro histórias de amor bem distintas entre si. A alma perdida, uma obra da polaca Olga Tokarczuk, prémio nobel da literatura, ilustrada pela inconfundível Joanna Concejo, dirige-se a pequenos e (sobretudo) a grandes leitores, e constitui uma poderosa reflexão sobre o ritmo frenético que atualmente levamos (e com o qual compactuamos), e as consequências de uma vida de superficialidade. 

Revemo-nos com facilidade em Jan, o protagonista, que depois de um episódio em que se esquece de quem é, recorre a uma sábia médica que lhe apresenta um curioso diagnóstico e um inesperado tratamento:

"- Se alguém pudesse olhar para nós lá do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que correm apressadas, transpiradas e muito cansadas, e que atrás delas correm apressadas as suas almas perdidas (...)"

"(...) O senhor tem de encontrar um lugar onde se sinta bem, sentar-se aí tranquilamente e aguardar pela sua alma. (...)"

Pormenores do miolo de A Alma Perdida

E foi o que Jan fez. Depois de encontrar uma casinha nos arredores da cidade, sentou-se à espera da sua alma. 
O reduzido texto verbal que integra a obra é compensado pelo espaço dado às ilustrações, responsáveis pelo caminho de leitura de cada um. 
Atendamos, por exemplo, em aspetos como a passagem do tempo (que nos é revelada pelo crescimento da barba e do cabelo de Jan), ou da transformação dos espaços, com a chegada da "alma" do protagonista, representada por uma criança. 
Esta história de amor, que termina como as dos contos de fadas, apresenta a Infância (o tempo da curiosidade e do deslumbramento) e a Natureza (com os seus ritmos e o seu tempo lento) como lugares de regresso à essência e de resgate do essencial:

"Desde então, viveram felizes para sempre e Jan passou a ter muito cuidado para não fazer nada demasiado depressa de modo que a sua alma conseguisse acompanhá-lo. (...)"

Pormenores do miolo de A Alma Perdida

A história de amor que se vive em Os sinais do Coração, um trabalho muito original, com texto do brasileiro Guilherme Semionato e ilustrações (bem nacionais) de Gabriela Sotto Mayor, é tão inesperada quanto insólita. Tal como a escolha anterior, é também um livro para ler muitas vezes, atendendo aos vários níveis de leitura que apresenta.
Detenhamo-nos, por exemplo, na observação das guardas (imagem abaixo). A transformação dos elementos que compõem a paisagem, embora nos forneça pistas valiosas, só no final da leitura revelará o(s) seu(s) sentido(s).

A história de amor que aqui se vive é protagonizada pelo Til e pela Cedilha que moram na palavra CORAÇÃO. E só acontece porque "(...) por vezes, mesmo as almas mais quietas querem estender a mão para alguém".

Guardas e pormenor do miolo de Os Sinais do Coração

E é então que o Cupido ataca. Depois de um divertido encontro, onde os dois se conhecem (excerto abaixo), esta história tem direito a tudo o que uma boa história de amor tem direito: o amor à primeira vista, o namoro, os cúmplices, "os do contra", a preparação da boda, a chegada dos convidados, o casamento e a festa, a lua de mel (e as suas peripécias), e a nova vida do casal, que passa a morar na palavra HABITAÇÃO.

"- Oi. Quem é você? - perguntou a Cedilha.
- Eu sou o Til.
- Tio? Tio de quem?
- Til, com l de lombriga.
- Ah! Então você não é tio de ninguém?
- Não. Sou filho único.
- Qual é o nome de sua mãe?
- Mãe. Todo Til nasce da palavra Mãe. Nós ficamos perto dela o máximo que dá, mas uma hora temos de viver em outras palavras.
- Aí, você veio parar aqui? (...)"

Este trabalho encerra a velha máxima sobre o poder que a literatura tem de tornar extraordinárias as coisas aparentemente "vulgares". É, com efeito, e tendo como cenário o dicionário, que os autores constroem um profícuo diálogo entre signos, significados e sentidos, capazes de abrir um amplo leque de leituras e interpretações (que podem ir, por exemplo, da simples história de amor às diferentes representações da família - até as mais controversas). 
O humor, que ora é conferido pelo texto, ora por apontamentos pictóricos,  associado à explosão sensorial que emana da ilustração, completam o cenário desta bonita história com coração dentro.

Pormenores do miolo de Os Sinais do Coração

A história de amor se se segue mora num delicado livrinho, onde as palavras se vestem de poesia e falam diretamente ao coração. Falamos de Coração de Pássaro, uma obra de Mar Benegas e Rachel Caiano, que conhecemos, quase por acaso, neste belo espaço limiano, onde os livros têm um lugar especial.
Nesta obra, o leitor entra logo em modo poético ao ler a apresentação das autoras (imagem abaixo), aspeto que apreciamos particularmente na Akiara.
Com a busca da poesia (e da beleza) como fio condutor, esta história de amor, protagonizada por Nana e Martim, é feita de sensibilidade e delicadeza, e traduzida para uma linguagem de que só os poetas são capazes.

"Porque os olhos de Nana eram um vulcão de areia lunar. Observavam um melro e transformavam-no num bosque.(...)"

"E Nana tinha um amigo. Era o seu vizinho, filho do padeiro. 
Ali permaneceram muito tempo juntos, escutando aquele diálogo interminável. E o Martim mostrou um bolo, quase acabado de fazer, e partilharam-no. E deram um beijo.
- Ah. Então eu também gosto de poesia - concluiu ele.
E o Martim pensou que a poesia eram pedras e búzios. (...)"

Pormenores da capa e ficha técnica de Coração de Pássaro

E é entre a aldeia de pescadores onde os dois vivem, e onde a menina tenta encontrar métodos para escrever poesia, a cidade para onde Nana parte em busca dos poetas, e o bosque, onde a alquimia tem lugar, que Nana e Martim vão construindo a sua história de amor, uma história com sabor a pão, a mar e a palavras. 

"O Martim, o filho do padeiro, só escrevia versos com farinha branca; amassava-os e metia-os no forno. Era o mistério do pão acabado de fazer. E despediu-se de Nana com um presente. Tinha forma de pássaro."

(E não resistimos, a propósito, a recordar aqui Petrini e Sepúlveda, quando no seu livro Uma ideia de Felicidade, referem que "há mais sabedoria num pão bem feito, do que num discurso para «arejar os dentes»")   

Pormenores do miolo de Coração de Pássaro

O livro que completa a nossa seleção é de autoria nacional, de Marco Taylor, e gostamos dele pelo seu caráter experimental e inovador. Trata-se de um livro às fatias, que integra a categoria de livro-objeto, e que contém também uma história de amor. Nesta obra, porém, é o leitor que decide como acaba a história: falamos de A história que acaba bem. A história que acaba assim-assim. A história que acaba Mal.

Pormenores do miolo de História que acaba bem, História que acaba assim-assim e História que acaba mal

É um livro onde predomina a imagem sobre o texto (que é residual), e que convida a refletir sobre as escolhas que fazemos, sobre as variáveis que controlamos e as que não dependem de nós. 
A paleta cromática escolhida (não ao acaso, dada a simbologia que encerra) dá o tom às três histórias. Os diferentes desfechos são materializados com a incorporação de cores e tons condizentes com os estados emocionais que emergem de cada história.

Pormenores do miolo de História que acaba bem, História que acaba assim-assim e História que acaba mal

Por cá, e porque gostamos que as histórias ELF acabem bem, pedimos de empréstimo ao Marco algumas palavras, e, ainda que "quando apaixonados, às vezes sejamos tolos", outras vezes, "quando apaixonados temos mais coragem!". 
A nossa paixão pelos livros e o nosso amor à leitura continuarão a marcar presença neste espaço.
Obrigada a todos.


Nota: No que respeita a novidades editorais da LIJ em 2020, falamos de outras obras a propósito das representações do ambiente na literatura; das representações da infância; dos avós que povoam a atual literatura infantil; e de leituras luminosas para dias cinzentos


Boas leituras e desejos de um feliz Ano Novo!